O presidente da Confraria do Sameiro afirma que a devoção do povo português a Nossa Senhora “é de sempre”, no contexto da solenidade litúrgica da Assunção de Maria, que a Igreja Católica celebra este domingo.

“A devoção do nosso povo a Nossa Senhora é de sempre, se quisermos situar-nos a partir do momento em que fomos recuperando a nossa nacionalidade, as nossas primeiras catedrais são todas dedicadas a Nossa Senhora”, assinala o cónego José Paulo Abreu, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O sacerdote da Arquidiocese de Braga explica que o “último dogma de cunho mariano” proclamado pela Igreja foi a Assunção de Nossa Senhora, em 1950.

Segundo o cónego José Paulo Abreu, depois da “primeira grande onda” de devoção nas catedrais e nas paróquias, a devoção a Nossa Senhora também esteve presente nas descobertas e no Ultramar.

Neste contexto, lembra ainda o “momento histórico”, após o “período de dependência dos espanhóis” em Portugal, em que o rei D. João IV coroou Nossa Senhora da Conceição, há 375 anos, a 25 de março de 1646.

“Os nossos monarcas deixam de usar a coroa na sua cabeça, quando tinham cerimónias oficiais colocavam a coroa ao lado, numa almofada”, acrescenta.

De norte a sul de Portugal, observa, existem muitos santuários marianos, “mesmo nas zonas menos praticantes, com menos manifestação exterior de crença”.

“Nossa Senhora não apareceu no Sameiro. Está no Sameiro”, segundo D. Manuel Vieira de Matos, arcebispo de Braga entre 1915 e 1932.

Uma frase que foi proferida “depois do fenómeno de Fátima” e, para o cónego José Paulo Abreu, é uma forma de dizer da “dignidade deste lugar”, não teve “aparições visíveis”, mas sente-se “a sua presença”.

O presidente da Confraria do Sameiro destaca que a imagem de Nossa Senhora que têm no santuário “é de uma beleza incrível” e “acolhe com um olhar tão terno, tão meigo e frontal, tão direto, que as pessoas são sempre tocadas”.

Do património edificado destaca-se a basílica como “ponto central”, começou a ser construída em 1890, têm uma gruta dedicada a Nossa Senhora de Lurdes, uma capela exterior, “que é um ponto de culto muito forte”, a cripta, e o património natural envolvente, onde “a mãe natureza é uma companhia interessante”.

O Santuário do Sameiro é lugar de encontros e celebrações ao longo do ano, como a peregrinação diocesana, em junho, ou a festa dos emigrantes, no último domingo de agosto, com procissão, Eucaristia, cantares e danças.

A história do Santuário do Sameiro está ligada ao dogma da Imaculada Conceição, proclamado pelo Papa Pio IX, em 1854, e no próximo dia 8 de dezembro está prevista a Eucaristia e o lançamento de um livro sobre a confraria.

Na história do santuário mariano, o cónego João Paulo Abreu recorda que existiam “dúvidas do porquê do desmoronamento” de uma escultura da Virgem Maria que estava num pedestal, que vai ser desvendada nesse livro.

“Conseguimos descobrir um papelinho, parece um papel de costaneira, daqueles de tabernas antigas, com uma letra que diz: ‘Já fiz o serviço, ainda sobraram três cartuxos. Hoje temos a certeza que foi dinamitada”, acrescenta o presidente da Confraria do Sameiro.

A Confraria do Sameiro vai lançar um livro, onde se apresentam provas de que escultura da Virgem Maria «foi dinamitada»

 

[in «Agência Ecclesia» 14.8.2021]
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