Ocorreu, não há muito, um ciclo de conferências sobre a fé e a ciência, sobre a racionalidade e um modo “ingénuo” de explicar o mundo, sobre a cientificidade e o modo crente de olhar para a realidade.

Muitos argumentos se esgrimiram. Os cientistas convidados mostraram-se à altura do desafio. Algumas temáticas, como é normal, foram mais vasculhadas, como sejam a origem do mundo e do homem (nas diversas explicações que a Bíblia e os sábios dão sobre o assunto), o sentido do universo e o futuro de todas as coisas (também aqui lentes diferentes, conforme fala a “sebenta” ou o “terço”).

Fiquei a pensar, no final desses debates, que uma palavra deveria unir os dois vetores: humildade! A ciência só ganha quando percebe que a realidade está sempre mais além, escapa, não somos donos dela, somos procura incessante, há sempre sombras. Não vale a jactância, o orgulho, a petulância, o “peito feito” como se fossemos os donos disto tudo. Que enorme o universo. E quanto segredo por descobrir.

Mas também a Igreja nada ganhou, nem agora ganha quando se arvora em detentora única da verdade, fogueira acesa para discordantes, condenação prometida a quem não professa a sua cartilha, convicção de que é a única porta aberta para uma eternidade feliz.

Humildade!

Que sentará depois à mesa – estou certo – outras boas companhias: respeito, solidariedade, sentido de entreajuda, atitude de serviço, vontade de aprender com a vida e com todos, respeito pelas diferenças, capacidade de escuta, predisposição para acolher, jeito simples de lidar com todos.

Nas trágicas circunstâncias em que vivemos, que volte a palavra mágica: humildade! Afinal, podemos tão pouco, somos tão frágeis, a vida é tão contingente e efémera, as nossas seguranças, em resumidas contas, não passam de gelatina. 

Basta um pequeno vírus, invisível, escondido, agressivo e mortífero e tudo fica em parafuso.

Que momento este. Que tempos. Para tanta descoberta. Para tanta reflexão. Para cairmos na conta que não somos deuses nem donos absolutos da vida. Para percebermos a nossa contingência, a nossa pequenez e – anda cá de novo, querida humildade, para abrirmos a chaminé da nossa vida e percebermos que o “alto” existe.

Eu sei que existe. Eu acredito que existe.  Acreditemos todos que existe.

Existe o Deus da bondade e nosso criador, nosso Pai: agarremo-nos a Ele. Há que suplicar: Deus, cuida de nós. Cuida das crianças. Cuida dos velhinhos. Cuida dos doentes. Cuida das nossas famílias. Cuida do nosso país. Cuida do mundo. E cuida muito bem de quem cuida. 

Mãe do Céu, Senhora das bodas de Canã (intercessora, medianeira, propiciadora do retorno do vinho da alegria para a mesa), Senhora das Dores, peregrina do Calvário, Mãe de ao pé da cruz, consoladora do Cenáculo, olha pelos teus filhos e filhas, cuida de todos nós, deita a mão aos mais frágeis, mete-te na nossa casa e zela por todos. Cobre-nos com o teu manto protetor, serena o nosso coração com o teu olhar meigo e doce, põe-nos no teu colo. Senhora do Sameiro, eis-nos contigo. Contamos contigo. Está connosco. Fica connosco.  

S. Sebastião, patrono das pestes, da fome e da guerra; S. Frei Bartolomeu dos Mártires, modelo insigne do socorro à doença, santos todos, vinde em nosso auxílio. Socorrei-nos. Valei-nos. Vinde em nosso socorro.

Libertos dos males presentes com a vossa ajuda, louvar-vos-emos sem fim, na comunhão com a Trindade Santa e com a nossa querida Mãe, a Senhora do Sameiro, rainha dos homens e dos anjos!

À corte celeste, com humildade, suplicamos: bênção, paz, alegria, confiança, coragem, muito amor e muita saúde.

 

 

Cón. José Paulo Leite de Abreu

Presidente da Confraria de Nossa Senhora do Sameiro

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