No Santuário do Sameiro em Braga irá estar implantado o Km 0 da “Via Mariana” que, desde o Minho e, ao longo de mais de 370 quilómetros, levará os peregrinos até ao Santuário de Nossa Senhora da Barca em Muxia, Galiza.

 

Sempre em caminhos polvilhados por santuários dedicados à Virgem Maria, tem como objetivo principal, guiar os peregrinos pelos santuários marianos espalhados pelo Minho e Galiza.

 

E foi para divulgar publicamente, e em primeira mão, que esta manhã, se realizou, no ensolarado adro da Basílica do Sameiro, uma conferência de imprensa em que estiveram presentes os representantes Associación Luso-Galaica “Via Mariana” e os representantes da Confraria do Sameiro, parceiros nesta iniciativa, que partiu do lado galego que, pensou de inicio criar um percurso que ligasse Santiago de Compostela a Braga.

 

Esta nova rota, pode ser percorrida no sentido Sameiro-Muxia ou no contrário, sendo que a maior parte se encontra em território galego. Do lado português serão os concelhos de Braga, Vila Verde, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez e Melgaço e ser “atravessados” por este percurso agora apresentado.

 

Tomando a palavra, de inicio, o Cónego José Paulo Abreu, Presidente da Confraria do Sameiro, começou por nos explicar que esta iniciativa “surgiu da ideia de se tirar partido e potenciar uma nova e profunda espiritualidade” continuando por dizer que “na realidade já existem os caminhos de Santiago, mas havia necessidade de se pensar num caminho mariano”.

 

Foi do lado galego que se começou a pensar seriamente na hipótese de lançar “este novo caminho”, tendo-se de imediato iniciado todo o trabalho de levantamento dos locais a ultrapassar, os pontos de interesse, outros pontos de atração que não só os santuários existentes.

 

Continuou o Presidente da Confraria do Sameiro dizendo que “Com o passar do tempo estes caminhos tornaram-se intransitáveis e, então, agora é preciso restituí-los aos peregrinos. Neste momento todo o trajeto está devidamente identificado e assinalado e todo o trajeto é transitável”, rematando que “penso que num futuro próximo este caminho terá grande sucesso”.

 

 Ainda segundo o presidente da Confraria do Sameiro, uma das prioridades será criar um espaço “para ter um chuveiro, uma sala de estar, uns sofás, um espaço de beliche ou de camarata, ou simplesmente para pôr um colchão no chão para as pessoas descansarem”, uma vez que o Sameiro verá muitos partir e acolherá outros à sua chegada. “Para quem chega temos de ter este tipo de apoio, mas para quem parte também temos de fornecer informações, como pode aceder à informação, onde são os pontos de paragem, onde são as igrejas, onde são as estalagens e os restaurantes”, ou seja, um conjunto alargado de informações necessárias para que toda a peregrinação seja feita com segurança e em pleno.

 

Terminou dizendo que “Abrimos caminhos pelos quais ninguém passava há muito tempo e que estavam cobertos de mato, foram muitas e muitas mãos voluntárias que pegaram em motosserras e sacholas, num trabalho entusiasta, voluntário e altruísta”, referiu, ainda, o Cónego João Paulo Abreu.

 

A presidente da Associação “Via Mariana”, Maria José Silva, explicou que “foram dois anos de trabalho intensivo, onde pouco a pouco, um grupo de pessoas foram dando a mão desde Braga a Muxia, trabalhando por um fim comum”.

 

Esta iniciativa vai muito para além da fé. Está assente, como destaca Maria José Silva, no património, na natureza e na fé. “Está tudo integrado, a fé não se pode desintegrar da natureza, porque também perdemos parte da nossa essência. Por isso recorremos aos santuários de fé e recorremos, também a autênticos santuários da natureza”, explicou a presidente da Associação.

 

 

Os peregrinos terão de seguir um código de conduta e têm, ainda, direito a uma credencial personalizada e a um certificado, no fim do caminho. Ao longo do caminho, os peregrinos têm toda a informação necessária ao descarregar uma aplicação do site da associação.

 

No próximo dia 23 de março, semelhante ação será feita em Santiago de Compostela para divulgação, em terras galegas, desta iniciativa que se quer, de grande êxito, levando muitos peregrinos, apeados ou de bicicleta, a percorrer aqueles que foram, outrora, os caminhos da fé e de união entre estes dois povos irmãos.

José Campos

 

Ecos do Sameiro

Notícias