História do Sameiro

Foi em setembro de 1861. Dois sacerdotes, P.Martinho António Pereira da Silva e P.Manuel Antunes dos Reis, conversavam certamente sobre os grandes obstáculos que pareciam erguer- se mais e mais frente à Igreja e pouco antes a Igreja respondera a muito dessa fúria, da forma mais certa, mais elevada, mais intocável que podia esperar-se: a definição dogmática da Imaculada Conceição de Nossa Sra. 

O mundo abrira a boca, mas era de espanto. A igreja realmente demonstrava estar muito e muito acima dos golpes traiçoeiros, das insídias, das torpes ambições. E o P.Martinho que iniciara o tema da conversa disse o que deviam fazer para compreensão mais nítida, para sublinhar bem a importância e a grandeza do inesperado dogma do sublinhar bem a importância. E para mais num país como Portugal onde há séculos se elevava a Imaculada Conceição de Maria, mesmo sem o dogma… 

E dizia o P.Martinho que tudo se devia fazer, mas especialmente erguer bem alto e intocável o acto histórico e grandioso da Declaração Dogmática. O mais certo ainda seria erguer-lhe um monumento que recordasse a todas as gerações. E assim nasceu. Em maio de 1862 formava-se a comissão para realizar o monumento que Portugal tinha obrigação de erguer. 

E em 14 de junho do ano seguinte, 1863, lançava-se a 1a pedra. No Porto trataram do escultor, estudaram esboços do que seria o monumento. São os muitos dias e longas horas para formar e criticar em consciência o que vai fazer-se; em conclusão são as grandes decisões e o desejo de que os artistas correspondam ao ideal sonhado. 

No dia 29 de agosto de 1869 o Arcebispo de Braga benze a grande imagem (mais de 3m de altura) feita no Porto e já colocada no monumento que iria ficar mesmo no alto do Sameiro, na nova e ampla avenida do P.Martinho, o homem que tivera a ideia e soubera erguê-la. 

A 9 de janeiro de 1883 uma violenta trovoada larga uma faísca que destrói completamente a imagem. Será substituída por outra, a 9 de maio de 1885. 

Encomenda-se em Roma a um escultor de fama que realize uma imagem destinada à capela e quando ficou pronta, foi benzida pelo Papa Pio IX- outubro de 1875. Nesse mesmo ano, após a morte do P.Martinho davam o seu nome à nova avenida que serve diretamente o santuário. 

Apesar de benzida pelo Papa, a imagem encomendada ficaria em Roma até Julho de 1878, supõe-se que por dificuldades de pagamento. A estátua de Nossa Sra. esculpida em Roma é feita em madeira. 

Em 7 de agosto, em Braga, uma multidão aguarda a imagem. A banda de Infantaria toca as suas marchas e 100 soldados do mesmo regimento formam a guarda de honra de joelho em terra. 

Já chegara a noite quando a cidade viu a imagem que só iria ocupar o seu lugar quando terminasse a obra da capela- a ida para a capela teve aura de triunfo. 

A 31 de agosto de 1890 foi benzida a 1a pedra para o atual santuário. E continuariam obras até 1900. Mais tarde outras apareceram. 

Em 12 de junho de 1904, uma extraordinária multidão que se calculou em 500.000 peregrinos e a totalidade dos bispos portugueses e o Núncio Apostólico em nome do sumo Pontífice coroa a Virgem Santíssima. 

Pode dizer-se ser constante o benefício sempre acrescentado a tornar o santuário de Nossa Senhora da Conceição um todo modelar sob todos os aspetos.

Cronologia