Mais uma vez, para a feitura deste editorial, recebo ajuda de um mail com um pequeno filme anexo, onde um brasileiro aparece a responder à pergunta: será que depois das próximas eleições o Brasil vai mudar?!

As eleições, como sabemos, já ocorreram. Mas a resposta ao quesito, dada pelo “canarinho” de meia idade que dá a cara no mail, é clara e continua atual:  o Brasil vai mudar quando o brasileiro mudar.

Depois, o anterior enunciado aparece concretizado em muitas situações onde a mudança se impõe. A conclusão reitera e personaliza: “o Brasil só vai mudar se você mudar”.

Gostaria de aplicar isto a Portugal, independentemente de não estarmos em período eleitoral. E de afirmar: também Portugal só mudará se os portugueses mudarem. Concretizando:

  • Portugal só mudará quando formos honestos nos negócios, quando restituirmos o troco que nos deram a mais, quando não nos servirmos do dinheiro para enriquecimento ilícito, para favorecimentos imorais, para corrupção, para aquisição de serviços degradantes ou de produtos destruidores;
  • Portugal só mudará quando respeitarmos as pessoas, as opiniões, as diferenças. Alguns só conseguem ser democratas quando os outros concordam com eles; desgastam tudo e todos até conseguirem os seus objetivos; cansam a maioria até chegarem aos seus intentos;
  • Portugal só mudará quando os pais estimarem os professores e não trocarem as reuniões da escola pela net, ou pela TV, ou pelos copos;
  • Portugal só mudará quando deixarmos de comprar o telemóvel que custa mais que o ordenado mensal; quando deixarmos de viver à pala do esforço dos outros; quando nos consciencializarmos de que para comer a noz é preciso o esforço de lhe partir a casca;
  • Portugal só mudará quando deixarmos de furar filas, de “meter cartolas”, de fugir aos impostos (sobrecarregando os que não conseguem a fuga);
  • Portugal só vai mudar quando deixarmos de maltratar os vizinhos e quando sentirmos e ensinarmos que o porteiro merece tanto respeito com o doutor ou o juiz; 
  • Portugal só vai mudar quando deixarmos de dar tanto calor às desgraças, pior ainda, às coscuvilhices, e passarmos a ocupar melhor o tempo, quiçá, com trabalho voluntário em grandes causas;
  • Portugal só vai mudar quando deixarmos de conduzir bêbados, e quando dominarmos todos os nossos instintos, inseridos numa correta gestão afetiva, num quadro de respeito pela dignidade humana;
  • Portugal só vai mudar quando deixamos de estacionar em frente às garagens, nos espaços reservados, nos lugares dos deficientes; e quando pusermos no para-brisa o papelinho com a nossa identificação depois de termos esmurrado o carro que estava ao lado;
  • Portugal só vai mudar se soubermos respeitar a propriedade dos outros e das instituições;
  • Portugal só vai mudar se não andarmos a sobrecarregar os outros, para andarmos nós de costas folgadas, privilegiados, e com assentos reservados para os da nossa “comitiva”;
  • Portugal só vai mudar se o ódio, a ganância, os rancores, as “mafiosices” forem trocadas por solidariedade, misericórdia e muito, muito amor.

Parafraseando de novo o brasileiro que me inspirou: “Nenhum político é capaz de mudar um país se as pessoas deste país não mudarem as suas atitudes”.

Concluindo: Portugal só vai mudar se cada um de nós mudar as suas atitudes. Ou ainda: Portugal só vai mudar se “você” mudar!

Neste Natal de 2018, ao Menino Jesus fico então a pedir – para que todos tenhamos um feliz Natal e alegre vida: eis um desejo que a todos os leitores do Ecos do Sameiro faço chegar – fico então a pedir – dizia – uma efetiva mudança de comportamentos. Em todos nós!

Cón. José Paulo Leite de Abreu

Presidente da Confraria de Nossa Senhora do Sameiro

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