Acredite na bondade!

Acredite na bondade!

Tem um aspeto ainda jovem. Vagueia pela rua, sobre o passeio. Apanha com água na cabeça e nas costas, vinda de um tubo postado no alto. Não se irrita ao ver-se inesperada e incomodamente molhado. Vendo um vaso ali perto, deita-lhe a mão e coloca-o em modos de receber a água.

Logo de seguida avista uma senhora que empurra um carrinho de venda ambulante, com panelas pousadas sobre o tampo. Tem uma roda pequena à frente, duas grandes atrás. A da frente depressa galga o passeio, mas as de trás não querem superar o obstáculo. Há que deitar uma mão, há que ajudar a senhora, e a cozinha ambulante lá se aparcou fora da estrada. O jovem apenas disse à vendedora: «deixa-me ajudar-te».

Sentado à mesa de um café, o jovem recebe agora a visita de um cão que lhe coloca uma pata sobre o joelho, com um olhar suplicante, o de quem deseja comer qualquer coisa. E o generoso cavalheiro entrega ao cão a coxa de frango que ia almoçar.

De novo em marcha, encontra mãe e filha, pedintes, sentadas ambas no chão, rogando esmola, com um letreiro a dar destino aos trocados que viessem a receber: «para a educação». Abriu a carteira, deu algumas notas à menina, colocando-as dentro do copo que ela segurava na mão.

Pendurou depois um cacho de bananas no puxador de uma porta. A anciã que por detrás dela se recolhia, apercebendo-se de um pequeno barulho, abriu a porta, enfeitada agora com precioso alimento.

A pergunta que no vídeo aparece – pode ver-se no Youtube, sob o título «gentileza por gentileza» – deixa a pergunta: «o que é que ele recebe em troca, por andar todo o dia a fazer isto?».

As legendas vão respondendo: «Não recebe nada. Não ficará mais rico. Não aparecerá na TV. Permanecerá anónimo. Não gozará nem sequer de um pouco de fama».

No entanto, a planta, uma vez regada, foi crescendo e está viçosa, mostrando, com orgulho, as suas folhas bem verdes. A vendedora ambulante, quando vê o jovem, presenteia-o com sorrisos e, contagiada por ele, entrega uma saca a uma cliente, legendando o ato: «pegue mais um extra». O cão vai atrás dele pela rua. E quando volta ao local das pedintes… mau, só lá está a mãe, com um papelão ao lado, no chão, vazio…

Que se passará com a miúda? Que lhe terá acontecido?

– «Mãe!». É ela a saudar, aproximando-se, vestida com a roupa de ir à escola, regressando da escola, mochila às costas.

Ao ver o bondoso jovem, a miúda parou, o jovem olhou-a comovido, e sorriu, como se tivesse reencontrado a felicidade, como quem sente o pulsar de uma vida ressuscitada, como quem dos escombros faz nascer uma flor.

E agora, sim, a pergunta tem respostas: «O que ele recebe são emoções»; o que ele recebe são sorrisos; «ele testemunha a felicidade». Sente o amor da senhora idosa que, com o cacho das bananas na mão, o abraça, num coquetel de gratidão, ternura e bonomia. Recebe o que não se pode comprar – o amor. Alegra-se por ver o mundo tornar-se mais bonito.

O vídeo termina com interrogações: «E na sua vida? Qual o seu maior desejo?»

Mas o fecho dos fechos é ou pode ser outro: «Acredite na bondade». Seja generoso. Nunca se arrependa de fazer o bem. Semeie, simplesmente por ter apostado em fazer o bem, ainda que também saiba que só assim poderá esperar colheita. Ponha mãos na fraqueza, sorrisos nos cansaços, mochilas de esperança na indigência, abraços na solidão. Afinal, mais do que queixarmo-nos da escuridão, o melhor mesmo é irmos acendendo velas. Pouca que a luz seja, a treva afugenta.

Decidido?! – Vamos, então, todos, acreditar na bondade!

 

Cón. José Paulo Leite de Abreu

Presidente da Confraria de Nossa Senhora do Sameiro

 

Acredite na bondade!

Tem um aspeto ainda jovem. Vagueia pela rua, sobre o passeio. Apanha com água na cabeça e nas costas, vinda de um tubo postado no alto. Não se irrita ao ver-se inesperada e incomodamente molhado. Vendo um vaso ali perto, deita-lhe a mão e coloca-o em modos de receber a água.

Logo de seguida avista uma senhora que empurra um carrinho de venda ambulante, com panelas pousadas sobre o tampo. Tem uma roda pequena à frente, duas grandes atrás. A da frente depressa galga o passeio, mas as de trás não querem superar o obstáculo. Há que deitar uma mão, há que ajudar a senhora, e a cozinha ambulante lá se aparcou fora da estrada. O jovem apenas disse à vendedora: «deixa-me ajudar-te».

Sentado à mesa de um café, o jovem recebe agora a visita de um cão que lhe coloca uma pata sobre o joelho, com um olhar suplicante, o de quem deseja comer qualquer coisa. E o generoso cavalheiro entrega ao cão a coxa de frango que ia almoçar.

De novo em marcha, encontra mãe e filha, pedintes, sentadas ambas no chão, rogando esmola, com um letreiro a dar destino aos trocados que viessem a receber: «para a educação». Abriu a carteira, deu algumas notas à menina, colocando-as dentro do copo que ela segurava na mão.

Pendurou depois um cacho de bananas no puxador de uma porta. A anciã que por detrás dela se recolhia, apercebendo-se de um pequeno barulho, abriu a porta, enfeitada agora com precioso alimento.

A pergunta que no vídeo aparece – pode ver-se no Youtube, sob o título «gentileza por gentileza» – deixa a pergunta: «o que é que ele recebe em troca, por andar todo o dia a fazer isto?».

As legendas vão respondendo: «Não recebe nada. Não ficará mais rico. Não aparecerá na TV. Permanecerá anónimo. Não gozará nem sequer de um pouco de fama».

No entanto, a planta, uma vez regada, foi crescendo e está viçosa, mostrando, com orgulho, as suas folhas bem verdes. A vendedora ambulante, quando vê o jovem, presenteia-o com sorrisos e, contagiada por ele, entrega uma saca a uma cliente, legendando o ato: «pegue mais um extra». O cão vai atrás dele pela rua. E quando volta ao local das pedintes… mau, só lá está a mãe, com um papelão ao lado, no chão, vazio…

Que se passará com a miúda? Que lhe terá acontecido?

– «Mãe!». É ela a saudar, aproximando-se, vestida com a roupa de ir à escola, regressando da escola, mochila às costas.

Ao ver o bondoso jovem, a miúda parou, o jovem olhou-a comovido, e sorriu, como se tivesse reencontrado a felicidade, como quem sente o pulsar de uma vida ressuscitada, como quem dos escombros faz nascer uma flor.

E agora, sim, a pergunta tem respostas: «O que ele recebe são emoções»; o que ele recebe são sorrisos; «ele testemunha a felicidade». Sente o amor da senhora idosa que, com o cacho das bananas na mão, o abraça, num coquetel de gratidão, ternura e bonomia. Recebe o que não se pode comprar – o amor. Alegra-se por ver o mundo tornar-se mais bonito.

O vídeo termina com interrogações: «E na sua vida? Qual o seu maior desejo?»

Mas o fecho dos fechos é ou pode ser outro: «Acredite na bondade». Seja generoso. Nunca se arrependa de fazer o bem. Semeie, simplesmente por ter apostado em fazer o bem, ainda que também saiba que só assim poderá esperar colheita. Ponha mãos na fraqueza, sorrisos nos cansaços, mochilas de esperança na indigência, abraços na solidão. Afinal, mais do que queixarmo-nos da escuridão, o melhor mesmo é irmos acendendo velas. Pouca que a luz seja, a treva afugenta.

Decidido?! – Vamos, então, todos, acreditar na bondade!

 

Cón. José Paulo Leite de Abreu

Presidente da Confraria de Nossa Senhora do Sameiro

 

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